dimanche 2 décembre 2012

A incidência da questão racial na violência letal do Brasil



2012 | A cor dos homicídios no Brasil 


J U L I O  J A C O B O  WA I S E L F I S Z



Foto, Francisco Rivero





O estudo focaliza a incidência da questão racial na violência letal do Brasil, tomando como base os registros de mortalidade do Ministério da Saúde entre os anos 2002 e 2010.
O trabalho verifica a incidência da vitimização negra nas Unidades da Federação, nas Capitais e nos Municípios brasileiros, tentando identificar os focos e os determinantes dessa violência

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Desde 1998 os diversos mapas divulgados vêm acompanhando e analisando a evolução da violência no país, principalmente a sua violência letal. Desde essa data, e incluindo o presente, já são 19 os relatórios divulgados, contando aqui os Cadernos Complementares abordando tópicos específicos. Em todos eles constatamos elevados níveis de letalidade, principalmente no capítulo dos homicídios. Nas diversas comparações internacionais que realizamos a partir dos dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil sempre ocupou uma das primeiras posições em função de seus elevados índices de homicídio: país violento em uma das regiões mais violentas do mundo: a América Latina.
Ao longo desse período fomos focalizando aspectos relevantes para o entendimento dos elevadosníveis de violência que o país registrava. Já no primeiro mapa, divulgado em 1998, o subtítulo Os Jovens do Brasilindica claramente o foco desse trabalho: a elevada concentração de homicídios na faixa jovem da população. Esse foco repetiu-se em muitos outros estudos e perdura ate os dias de hoje por ser, ainda, uma questão não resolvida pelas políticas do país. Outros relatórios focalizaram a violência contra as mulheres, a dirigida contra crianças e adolescentes ou a violência em contextos específicos (América Latina ou o Estado de São Paulo). O tema da raça/cor aparece tardiamente nos mapas e como item ou capítulo dentro de um relatório. Mas isso não aconteceu por desconhecer a gravidade do problema. Foram outros os motivos:
• O Sistema de Informações de Mortalidade, do Ministério da Saúde (SIM/MS) é a única fonte que verifica o quesito raça/cor dos homicídios em nível nacional até os dias de hoje. Mas só incorpora o tema em 1996, quando muda sua sistemática passando da Classificação Internacional de Doenças 9 para a 10 (CID9/CID10) por orientação da Organização Mundial da Saúde.
• Nos primeiros anos, a subnotificação nesse quesito foi muito elevada* mas foi melhorando rapidamente. Em 2002, quando a identificação de raça/cor já era de 92,6% das vítimas de homicídio, consideramos o nível suficientemente confiável para iniciar as análises sobre o tema.
Com essa informação de raça/cor das vítimas dos homicídios conseguimos construir capítulos nos mapas da violência, a partir de 2005, que sinalizavam, por um lado, a magnitude do problema e, por outro, que este estava se agravando progressivamente com o passar dos anos.
Diante do Dia – e da Semana – da Consciência Negra de 2012, e do lançamento concomitante, por parte do Governo Federal, do Plano Nacional de Prevenção à Violência contra a Juventude Negra, visando diminuir o índice de homicídios que atingem os jovens negros do País, julgamos necessário elaborar um novo mapa focado exclusivamente nesse tema. Tentamos, com isso, ampliar ao máximo o tratamento das escassas informações disponíveis, como insumo e subsídio para a discussão e formulação de estratégias mais acuradas e focalizadas para enfrentar o grave problema.
Mais que realizar um diagnóstico, nossa intenção é fornecer subsídios para que as diversas instâncias da sociedade civil e do aparelho governamental aprofundem a leitura de uma realidade que, comoos próprios dados evidenciam, é altamente preocupante.


* No primeiro ano da implantação: 1996, segundo o SIM, aconteceram 38.894 homicídios. Mas só 2.062, isto é 5,3% tem indicação de raça/cor da vítima; 94,7% sem indicação.












samedi 1 décembre 2012

Dia Nacional Do Samba. 2 de Dezembro





Reza a lenda que o Dia do Samba foi criado nos anos 50, e remete à iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso, quando de sua primeira passagem por Salvador. O músico já havia composto o sucesso Na Baixa do Sapateiro, que exalta as tradições da capital da Bahia, mas nunca havia posto os pés naquela cidade.

Anos mais tarde, em 1962, durante a realização no I Congresso Nacional do Samba, no então Estado da Guanabara, o deputado estadual Frota Aguiar conseguiu aprovar um projeto de lei que tornou a comemoração um evento nacional. Desde 1972, a data é celebrada nas ruas das duas cidades.

No Dia Nacional do Samba no Rio, o trem da Central do Brasil que partem com destino a Oswaldo Cruz fica repletos de pagodeiros. Cada vagão transporta um grupo de sambistas famoso ou não, que vai tocando e cantando até chegar ao bairro onde nasceu Paulo da Portela. O trem só pára na estação de Mangueira para a Velha Guarda da Verde-e-Rosa entrar, e segue em frente. Em Oswaldo Cruz, todos desembarcam, e se formam várias rodas de samba que vão se espalhando até tomar conta de todo o bairro. E como em toda boa roda de samba, a festa só termina ao amanhecer. O Pagode do Trem é uma iniciativa do movimento Acorda Oswaldo Cruz.

          Vagão de trem foi sede da Portela

Pagode do Trem foi criado na década de 20 por Paulo Benjamin de Oliveira, um dos fundadores da Portela (dizem que o berço do samba é lá!), que mais tarde adotou o nome da escola de samba como seu sobrenome. Naquela época, o objetivo não era comemorar o Dia Nacional do Samba. Os sambistas eram perseguidos pela polícia e a Portela ainda não tinha uma sede. Assim, os sambistas da escola iam ao encontro de Paulo na Estação da Central, e partiam rumo ao subúrbio. Da Central até Oswaldo Cruz, o vagão onde eles se reuniam transformava-se na sede provisória da Portela. Os sambas eram cantados, escolhidos. Tudo o que se referia à escola de samba era acertado ali. 








Passistas














Cúpulas em um campo de golfe


Escola Nacional de Arte













Graziella Pogolotti • La Havana, Cuba
Fotos doArchivo



Às margens do rio Quibú, na periferia de Havana, as zonas de verde prado fazem lembrar o antigo campo de golfe. As instalações do Country Club ainda se conservam, um pouco modificadas pela necessidade de adaptar espaços para aulas de música. No ambiente bucólico, alguns estudantes fazem seus exercícios de violino. A paisagem, porém, foi transformada pelos perfis de insólitas construções, desenhadas em contra-corrente ao funcionalismo. Obra dos arquitetos Ricardo PorroVittorio Garatti e Roberto Gottardi privilegiaram os valores expressivos e a tradição artesã em detrimento da busca da eficiência tecnológica. Recuperaram as texturas e o cromatismo do ladrilho. No início dos anos sessenta do século passado, romperam com a ordem implantada pelo desenvolvimentismo cientificista. O projeto monumental era a afirmação tangível de uma vocação terceiromundista.
Ainda inconcluso, estrutura aberta para o porvir, constitui em mais de um sentido a concretude da imagem simbólica da Revolução cubana. A transgressão das normas dominantes na arquitetura local, assim como a aposta em favor do futuro guardava estreita correspondência com o destino previsto para a obra. Nesse lugar, em diálogo cotidiano com a natureza e em intercâmbio permanente entre as artes visuais, o teatro e a música haveriam de produzir-se na aprendizagem de novas gerações de artistas.

Desde o primeiro momento, a execução do projeto suscitou ásperas polêmicas, precursoras de muitas outras. O custo excessivo parecia um desafio à racionalidade. Esgotados os fundos, os trabalhos foram interrompidos até reiniciar-se o amanhecer de um novo milênio. O desdém pela funcionalidade também teve seu preço. Os estudantes de pintura trabalham a contraluz. Fechada em si mesma, a escola de teatro abarca em seu labirinto uma pequena comunidade. Mesmo assim, nas instalações ocupadas agora pelo Instituto Superior de Arte, gerações de artistas forjaram seus sonhos e seguem encontrando ecos de nostalgia.
Visto à distancia, o conjunto arquitetônico das escolas de arte de Cubanacán resulta uma encarnação tangível da utopia, reflexo da atmosfera intelectual de uma época e espaço propício para elucidar as inevitáveis contradições desencadeadas pela marcha de um projeto de transformação da sociedade.
Seu excesso de desafio contém e tenta superar alguns traços característicos do subdesenvolvimento, tema recorrente no início dos anos sessenta do século passado, tal como foi abordado pelo conhecidíssimo filme de Tomás Gutiérrez Alea, que se transformou em um clássico do cinema latinoamericano*. Se tratava – em termos econômicos e também culturais – da extrema polarização entre uma cabeça hipertrofiada e a fragilidade das extremidades que a sustentam.
[...]
Nota:
* Filme Memorias del subdesarrollo, de Tomás Gutiérrez Alea.


Veja:
http://www.lajiribilla.cu/articulo/cupulas-campo-de-golf












Le Louvre se réinvente à Lens...



Le Louvre se réinvente à Lens sur un carreau de mine
















Eric Bietry-Riviere

Plus qu'une antenne du palais parisien, c'est un centre culturel d'envergure internationale que le président de la République inaugurera mardi. Soit une galerie de 205 chefs-d'œuvre, deux salles d'expositions temporaires, des réserves visitables et un auditorium. Ouverture au public le 12 décembre.



Dès la descente du train,La Liberté guidant le peuplehisse les couleurs bleu-blanc-rouge en 4 × 3 mètres sur Lens. L'œuvre de Delacroix est visible un quart d'heure à pied plus loin mais, place de la gare, reproduite sur une bâche occultant des façades décrépites, elle sonne tout à la fois comme un cache-misère et un appel au sursaut national par un geste audacieux. Pour réussir la greffe du plus grand musée du monde dans le pays sinistré des corons et des terrils, La Libertéa également été affublée d'une accroche à résonance locale et footballistique: «Le Louvre en sang et or, quand l'art s'invite au stade.» De fait, le Louvre-Lens imaginé par l'agence japonaise Sanaa (New Museum of Contemporary Art de New York en 2007, pavillon d'été de la Serpentine Gallery de Hyde Park, Londres en 2009) étend ses galeries d'aluminium poli et d'alvéoles de verre à quelques encablures du stade Bollaert. Lui se trouve en attente de rénovation et espère participer à l'Euro 2016. Réponse le 24 janvier. Dans cette région du Nord-Pas-de-Calais, cette actualité-là fait au moins autant parler que la nouvelle infrastructure.
Les deux sites font parc commun depuis la transformation, par la paysagiste Catherine Mosbach, de la fosse 9-9 bis, un ancien carreau de mine. «La terre noire n'est pas polluée. Au contraire, très riche en carbone, elle permet à de nombreuses espèces de prospérer», explique à l'entrée Juliette Guépratte. Dans le vaste hall ponctué d'alvéoles vitrées (cafétéria, informations, espace pour les groupes), cette chef du service des publics accueille les premiers VIP en collants. Elle a laissé sur le seuil ses bottes crottées de la boue environnante. Car si les pelleteuses s'activent toujours dehors, l'intérieur est fin prêt pour l'inauguration présidentielle prévue mardi.
Rectiligne, de faible hauteur, presque discret, ce Louvre-Lens, long de 450 m, est plus qu'une antenne provinciale de la maison mère. Il bouscule les canons de la muséographie classique. «Nos collections sont ici présentées de façon transversale, réunissant ce qui, à Paris, est séparé en départements, en écoles, en techniques, explique Henri Loyrette, le patron du Louvre, qui, depuis quelques mois, avec son équipe, a pris table en face, au bistrot-frites Chez Cathy. Cela donne de nouvelles clefs de compréhension aux œuvres.»

            Aussi riche que claire

Épine dorsale du lieu, baignant dans le gris bleuté du jour et des parois argentées, la Galerie du Temps rapproche en effet dans son vaste et unique espace statues, objets sacrés ou décoratifs, vestiges et tableaux. Passé une grande table didactique interactive, le voyage peut commencer. En s'aidant d'une chronologie gravée sur la paroi de droite et de quelques bornes numériques, on part de l'invention de l'écriture du côté de Babylone pour terminer au XIXe siècle. Non seulement avec Delacroix, Ingres ou Barye mais aussi avec un portrait qui est contemporain à ces artistes: celui de Fath Ali Shah, un souverain iranien présentant d'étranges ressemblances avec le célèbre Monsieur Bertin.
Entre-temps, bien d'autres rapprochements auront donné une autre image de l'Antiquité, du Moyen Âge, de la ­Renaissance, des temps classique et moderne. Esthètes et érudits apprécieront. Pour les simples curieux, ils trouveront matière à s'extasier devant plusieurs icônes. Pour la peinture sont représentés Botticelli, Pérugin, Raphaël, Rubens, Poussin, Rembrandt, La Tour, Claude Lorrain, le Greco ou encore Fragonard… En ce qui concerne la statuaire, comment ne pas s'arrêter devant cette idole cycladique qui ressemble à un Brancusi, cette élégante Aménophis III en bois, cet impérial Marc Aurèle ou ce monumental sacrifice de taureau lourd de 3,5 tonnes de marbre? Plus loin, le gothique voisine avec les arts de l'islam. Et l'Orient poursuit son dialogue avec l'Occident avec les céramiques d'Iznik ou d'Ispahan rapprochées de faïences d'Urbino, de terres cuites françaises et aussi d'un merveilleux vase ciselé dans le cristal de roche à Milan vers 1600. Ces trésors sont là pour un maximum de cinq ans, 20 % seront changés chaque année. Ainsi le lieu se trouvera renouvelé en permanence.
À son extrémité s'ouvre une rotonde de verre qui propose une exposition sur le temps et les manières de le concevoir dans différentes sociétés. Lorsqu'on revient dans le hall central, l'accès au théâtre de 288 places assises est aisé. On peut aussi visiter l'autre exposition temporaire inaugurale. Aussi riche que claire, elle est consacrée aux Renaissances italienne et nordique. La Sainte Anne de Léonard de Vinci y est accrochée en point d'orgue. Une rétrospective Rubens suivra en juin, puis on évoquera le monde étrusque. Dernier motif de surprise: en sous-sol, les réserves sont accessibles par groupes, sur rendez-vous. De la manutention à la restauration, on y est même invité à découvrir les métiers de ceux qui œuvrent en coulisses. Chose impossible au Louvre-Paris.













Une forte fréquentation au Louvre, à Versailles et à la tour Eiffel.




Ces monuments victimes de leur succès






Les nombreuses visites au musée du Louvre sont le témoignage de l'attractivité de la France.
Les nombreuses visites au musée du Louvre sont le témoignage de l'attractivité de la France. Crédits photo : Sébastien SORIANO


Claire Bommelaer

L'année 2011 a enregistré une forte fréquentation au Louvre, à Versailles et à la tour Eiffel. Cet afflux doit désormais être planifié.



Contempler La Joconde sans avoir un groupe de touristes devant soi? Impossible! Cette année, près de 7 millions de personnes auront défilé devant le célèbre tableau -un record! À tel point que la manière d'accueillir et d'orienter ce tourisme de masse est devenue un chantier prioritaire aux yeux d'Henri Loyrette, président du Louvre. «Pour l'instant, les visiteurs ne se plaignent pas trop, car le palais est un incontournable parisien, constate-t-il.Mais nous savons que le musée serait totalement saturé avec 12 millions de visiteurs.»
C'est un fait moderne: le monde entier veut voir les mêmes choses au même moment. En 2011, année de tous les records, 6,5 millions de personnes se sont rendues au château de Versailles, 8,7 au Louvre, 7 à la tour Eiffel, ou encore 13,5 à Notre-Dame de Paris. Tout cela témoigne de l'attractivité de la France. Mais, succès oblige, la dégradation de certains sites et l'impression d'être au musée comme dans un hall de gare sont perceptibles.

            Un «meilleur confort de visite»

Chaque année, 850.000 personnes se rendent à la Sainte-Chapelle, lieu de 33 mètres de long sur 10 mètres de large. Présentée dans tous les guides touristiques comme un must parisien,sorte de choc émotionnel après la montée du petit escalier, la Sainte-Chapelle et ses vitraux font partie des lieux phares de Paris. «Petit à petit, la respiration des ­visiteurs, couplée à la pollution extérieure, dégrade les vitraux», remarque Isabelle de Gourcuff, administratrice de l'endroit. Pour le moment, ils sont restaurés grâce à la manne du mécénat de l'entreprise Velux, qui court sur plusieurs années. Et demain?
Aucun établissement culturel ne songe à organiser la pénurie de visiteurs et à freiner la course au succès. Il en va de leur rayonnement international, mais aussi des recettes (billets, boutiques, mécénat) à un moment où l'État se retire sur la pointe des pieds. Et puis, comme le signale Isabelle Lemesle, présidente duCentre des monuments nationaux, «l'État nous demande de veiller à ouvrir les monuments au plus grand nombre». Mais il faut, explique encore Henri Loyrette, «aider les visiteurs à préparer leur visite en amont grâce au site Internet, leur permettre d'imprimer des billets depuis leur domicile et surtout les inciter à faire d'autres parcours dans le musée».
Selon les monuments, entre 20 et 25% des visites sont déjà préréservées, pourcentage qui n'est pas extensible à merci. «Lorsque l'on vend un créneau horaire précis, il faut pouvoir tenir sa promesse», prévient Nicolas Lefebvre, directeur général de la Société d'exploitation de la tour Eiffel (Sete). Pour l'instant, la Vieille Dame est en quelque sorte sauvée par ses ascenseurs, qui ne peuvent pas faire plus de 120 voyages par jour. En 2012, des travaux réalisés au premier étage (boutiques, restaurants) devraient permettre un «meilleur confort de visite», pousser les visiteurs à dépenser et, donc, autoriser la Sete à ne plus participer au toujours-plus. «Nous avons pris conscience que la tour Eiffel était aussi un patrimoine, et qu'il fallait la protéger», ajoute Nicolas Lefebvre.
Le ministère de la Culture, lui, voudrait aller plus loin. Il vient de demander au Domaine de Versailles d'étudier un système de tarifs modulables pour les particuliers, technique pour l'instant réservée aux tour-opérateurs. Le château est en circuit fermé, il est impossible d'inciter les touristes à le parcourir partiellement. Il faut donc travailler sur les «plages horaires». «Les familles ­arrivent toutes entre 11 heures et 15 heures pendant les périodes de vacances scolaires», remarque Denis Berthomier, ­administrateur de Versailles. Si elles y gagnaient fortement, elles pourraient décaler leur venue avant 9h30 ou après 16 heures et viendraient plus en hiver.»
Le système, forcément imparfait, vaut peut-être le coup d'être tenté. Car il en va de notre manière de «consommer» la culture et de protéger un des monuments les plus réputés au monde.














Notre-Dame de Paris


Le parvis de Notre-Dame de Paris change de visage







Jusqu'au 24 novembre 2013, le parvis de Notre-Dame de Paris, fréquenté tous les ans par 14 millions de visiteurs et fidèles, sera métamorphosé en un espace baptisé «Chemin du Jubilé».
Jusqu'au 24 novembre 2013, le parvis de Notre-Dame de Paris, fréquenté tous les ans par 14 millions de visiteurs et fidèles, sera métamorphosé en un espace baptisé «Chemin du Jubilé». Crédits photo : Marc BERTRAND © Paris Tourist Office - Photographe : Marc Bertrand

Anne-Laurel Filhol

À partir du 12 décembre et pour un an, quatre grandes installations vont investir ce lieu pour les 850 ans de la cathédrale.



Pour les 850 ans de la cathédrale Notre-Dame de Paris, l'association en charge des festivités a vu les choses en grand. «Nous avons voulu que les passants se réapproprient ce monument chargé d'histoire et de spiritualité en proposant un parvis vivant», lance Bénédicte Esnault, directrice des opérations de l'association Notre-Dame de Paris 2013. Du 12 décembre au 24 novembre 2013, ce parvis, fréquenté tous les ans par 14 millions de visiteurs et fidèles, sera métamorphosé en un espace baptisé «Chemin du Jubilé». Une sorte de parcours initiatique. Quatre grands ensembles investiront cet espace d'environ 1200m², donnant sur la façade occidentale de la cathédrale.
Le visiteur sera invité à pénétrer dans un beffroi, sorte de tour éphémère de treize mètres de haut situé à l'ouest de la place, du côté de la rue de la Cité. À l'intérieur du beffroi, trois vitraux de Jacques le Chevallier - datant de 1937 et légués à la cathédrale par la famille du maître verrier en 2011 - seront exposés. Le promeneur poursuivra ensuite son chemin sur un plan incliné, «probablement semé de panneaux photographiques ou d'indications historiques», détaille Jean-François Lemercier, secrétaire général de l'association. Il poursuit, prudent: «Nous ne savons pas encore précisément comment tout sera agencé. Il faut bien comprendre que cette structure va rester un an sur le parvis, les choses vont donc bouger et évoluer au fur et à mesure.»
Soixante-dix mètres plus loin, le marcheur, désormais hissé sur une esplanade à 5,50 mètres au-dessus du sol, deviendra spectateur à part entière. Il sera plongé dans une perspective inédite, face aux trois portails de la cathédrale. L'occasion de découvrir plus profondément le détail des scènes représentées sur la façade ouest du monument. L'association espère même que ce nouveau point de vue interpellera le spectateur: «Ces tableaux bibliques posent des questions existentielles. Ils inciteront sûrement certains à s'interroger sur leur vie personnelle et spirituelle», avance Bénédicte Esnault.

            «Un projet ambitieux»

Le spectacle ne sera pas qu'incrusté dans la pierre puisque des mises en lumières et autres animations seront projetées. Des gradins d'une capacité de pas moins de 800 places descendant tout droit vers l'édifice permettront à l'auditoire d'en profiter. Mais ce n'est pas tout. La terre ferme sera également lieu de réjouissances puisque six petites maisons, positionnées de part et d'autre du parvis, accueilleront diverses activités telles que des expositions «mettant en valeur d'anciens métiers liés à la construction de la cathédrale, comme les tailleurs de pierres, maîtres verriers ou encore facteurs d'orgues», relève Bénédicte Esnault. Ateliers grandeur nature ou simples expositions? Là aussi prudence: «chaque chose en son temps». La solidarité sera de mise puisque des associations caritatives pourront également se réfugier sous ces cabanons afin de présenter leurs actions. «L'histoire de la cathédrale est intimement liée à question de la charité, avec l'Hôtel-Dieu juste à côté», poursuit Bénédicte Esnault.
Coût de l'opération: «plusieurs millions d'euros». Dans ces «millions», il faut entre autres compter 230.000 euros pour les travaux de voirie. Auxquels vient s'ajouter la redevance de 120.000 euros que Notre-Dame 2013 versera à la Mairie pour l'occupation du parvis. Au total, le montant des différents événements et rénovations des 850 ans de la cathédrale - notamment les nouvelles cloches - s'élève à 6,5 millions d'euros. «Nous en sommes encore loin puisque nous comptons exclusivement sur les dons», souffle Jean-François Lemercier, avant d'ajouter confiant: «Le projet est ambitieux mais pas fou.»















Dans les coulisses de Notre-Dame de Paris







Joachim, gardien de Notre-Dame, ouvre les portes d'une cathédrale encore vide: il est 7h45.
Joachim, gardien de Notre-Dame, ouvre les portes d'une cathédrale encore vide: il est 7h45.

Vincent Jolly


Le jour se lève à peine. Sur le parvis de Notre-Dame réchauffé par les premières lueurs matinales, ils sont déjà une vingtaine à patienter. Quelques habitués se reconnaissent et discutent. Tous viennent assister à la première des cinq messes du jour. La plupart sont retraités, d'autres travaillent dans le quartier et profitent de l'occasion pour venir prier avant de se rendre au bureau. Il est 7 h 45 précises quand le portail Sainte-Anne, le plus ancien de la cathédrale, s'entrouvre.Dans l'entrebâillement où l'on devine déjà la grandeur des voûtes éclairées, Joachim Irudayanathan apparaît, un énorme trousseau de clés à la main.
Unique résident de Notre-Dame, Joachim est surnommé, à raison, le gardien de la cathédrale. Chaque jour, l'une de ses responsabilités consiste à ouvrir et fermer l'un des bâtiments les plus fréquentés au monde - on estime le nombre de visiteurs annuel à plus de 20 millions sur le parvis et 14 millions à l'intérieur (plus que le Louvre, la tour Eiffel ou même la Grande Muraille de Chine). Joachim connaît chaque membre du personnel de la cathédrale, des architectes aux organistes en passant par les équipes d'entretien, et il n'y a pas une seule porte de ce bâtiment de 4 800 mètres carrés qui ne lui résiste. Quand on lui demande s'il aime son métier, il répond avec un sourire timide, empreint d'humilité. «Il y a vingt-huit ans maintenant que je travaille ici, d'abord comme sacristain, puis comme gardien depuis neuf ans, raconte-t-il avec sa bonhomie naturelle. Après tout ce temps, l'émotion de garder un tel lieu est toujours la même.»

             Chaque année, 20 millions de visteurs découvrent la cathédrale

Cette fierté de servir la «grande dame blanche», on la retrouve chez toutes les personnes qui la font vivre. Comme chez M. Dos Santos, le chef de l'équipe de ménage. Chaque matin, alors que les premiers visiteurs commencent à déambuler dans les bas-côtés encore déserts, lui et ses employés terminent de briquer les bancs et le parterre. En quelques heures seulement, ils doivent s'assurer de la propreté de ce vaste lieu. Et aujourd'hui plus qu'un autre, tout doit être parfait. Car en ce premier vendredi du mois a lieu la vénération de la sainte couronne d'épines, celle que Saint Louis apporta pieds nus dans la cathédrale, le 12 août 1239, et toujours conservée dans la chapelle du Saint-Sacrement.
Les chevaliers du Saint-Sépulcre, gardiens de la couronne d'épines.
Les chevaliers du Saint-Sépulcre, gardiens de la couronne d'épines.
Une cérémonie encadrée par les Chevaliers du Saint-Sépulcre, un ordre qui trouve ses origines au XIIe siècle et encore chargé de la garde statuaire de la couronne. L'homme qui supervise cette protection, Renaud de Villelongue, est lui-même chevalier. Habillé de son grand manteau blanc frappé d'une croix de Jérusalem rouge vif, l'homme inspire rapidement le respect par son dévouement total à l'Ordre. «Nous sommes une vingtaine à protéger la couronne, symboliquement, mais aussi physiquement», explique ce DRH à la retraite. Lors de la vénération, la relique est présentée aux fidèles. Ils peuvent alors chacun à leur tour venir embrasser la couronne sous le regard attentif des chevaliers. «Il n'y a jamais de gros problèmes, assure Renaud de Villelongue, seulement parfois des gens un peu illuminés. On les repère vite et on les tient à l'oeil.
S'il y a le moindre geste brusque, on intervient.» Des célébrations comme celle-ci, Notre-Dame de Paris en accueille plus d'une dizaine chaque année. Elles viennent compléter les messes et les vêpres quotidiennes. Ce calendrier chargé nécessite une logistique sans faille. Une organisation qui repose en grande partie sur les épaules des sacristains. Ils ont pour tâche de gérer tout le matériel nécessaire à la vie d'une église ou d'une cathédrale: le choix des différentes aubes des prêtres, les coupes, les hosties et le vin de messe. Une organisation extrêmement rigoureuse, car le bon déroulement des offices et de ces célébrations reste la principale des préoccupations. D'autant que certaines d'entre elles sont retransmises en direct à la télévision.
Jean-Pierre Cartier, historien, pose devant la rosace occidentale. Ce professeur d'histoire à la retraite s'occupe de l'organisation et de la coordination des différentes célébrations à la cathédrale.
Jean-Pierre Cartier, historien, pose devant la rosace occidentale. Ce professeur d'histoire à la retraite s'occupe de l'organisation et de la coordination des différentes célébrations à la cathédrale.
Depuis 2004, la cathédrale s'est dotée d'une régie située dans une mezzanine, dissimulée aux yeux du public. De son perchoir, François Rousselet, réalisateur pour KTO (une chaîne de télévision catholique), s'occupe seul de diriger une dizaine de caméras pour diffuser sur les ondes les grands moments de la vie de Notre-Dame.Mais la régie n'est pas le seul lieu «secret» de la cathédrale. À 90 mètres au-dessus des visiteurs s'élève la flèche, construite lors de la restauration par Viollet-le-Duc en 1860. Sommet de l'édifice, elle offre une vue imprenable sur les bords de Seine, mais rares sont ceux autorisés à s'y rendre. Benjamin Mouton, architecte en chef des Monuments historiques et en charge de la cathédrale, a la chance de pouvoir y accéder. «C'est forcément un immense honneur pour moi de travailler dans ce qui est une véritable prouesse de l'art gothique. Mais cela comporte également d'importants défis...» L'un d'entre eux: la sauvegarde de la roche, devenue de plus en plus friable à cause de la pollution parisienne.

           Un chantier qui mobilise des dizaines d'artisans

Au sein de la cathédrale, les problèmes de rénovation et d'entretien se posent à tous les niveaux. Marie-Hélène Didier est conservatrice pour la Drac, la Direction régionale des affaires culturelles. Elle supervise, entre autres, la restauration des objets pieux et des reliques. Des interventions chirurgicales qui peuvent susciter le concours de compétences diverses, techniques comme scientifiques, et ainsi devenir un véritable casse-tête. L'un des nombreux chantiers en cours concerne le grand orgue de la cathédrale, l'un des plus célèbres en France. Mais là encore, d'autres aptitudes sont sollicitées. Dans l'enchevêtrement du monumental instrument datant du XVIIIe siècle, Philippe Guyonnet est à l'oeuvre.
Accroupi au milieu des 7 374 tuyaux de cette gigantesque machinerie, ce facteur d'orgues salarié de la cathédrale accorde les différents jeux d'anches. Un travail nécessitant une minutie et une oreille hors pair. En effet, chaque tuyau émet une fréquence différente, de 16.500 Hz à 30 Hz. En plus de celui-ci, actuellement en rénovation, Notre-Dame dispose d'un autre orgue, plus petit mais tout aussi prestigieux, situé dans le choeur. Il accompagne également les différentes cérémonies, ainsi que les spectacles musicaux qui prennent place dans l'enceinte de la cathédrale. Plusieurs fois dans l'année, des concerts sont donnés par la maîtrise de musique sacrée, où des enfants recrutés sur le volet suivent un cursus de chant approfondi en parallèle à une scolarité adaptée. Une autre des nombreuses facettes de la vie tumultueuse de la cathédrale.
Joyau de l'île de la Cité, Notre-Dame fêtera bientôt ses 850 ans lors du jubilé, qui démarrera le 12 décembre prochain et se déroulera jusqu'au 13 novembre 2013. L'occasion de donner le jour aux projets les plus fastueux, le plus emblématique de ces travaux étant sans doute la rénovation et le remplacement des cloches.

          Un grand jubilé fêté pendant toute une année

En mars prochain, huit nouvelles cloches rejoindront Emmanuel, le bourdon baptisé par Louis XIV afin de redonner à la cathédrale la voix qu'elle mérite. Chacune de ces cloches porte un nom symbolique dans la religion chrétienne: Gabriel (comme l'archange) ; Anne-Geneviève, Denis et Marcel (pour la mère de la Vierge Marie et les patrons de Paris) ; Maurice (en référence au fondateur de la cathédrale) ; Jean-Marie et Benoît-Joseph (en l'honneur du cardinal Lustiger et du pape né Joseph Ratzinger) ; et enfin Etienne (pour le nom de la première cathédrale de Paris). Au cours de ce jubilé, Notre-Dame s'attend à recevoir plusieurs millions de visiteurs. Une structure particulière a été bâtie sur le parvis de la cathédrale afin d'offrir aux visiteurs et aux pèlerins une vision unique de l'édifice.
Bénédicte Esnault et Jean-François Lemercier,en charge de l'organisation du jubilé des 850 ans de la cathédrale posent près du bourdon Emmanuel, parrainé par Louis XIV.
Bénédicte Esnault et Jean-François Lemercier,en charge de l'organisation du jubilé des 850 ans de la cathédrale posent près du bourdon Emmanuel, parrainé par Louis XIV. Crédits photo : Gilles BASSIGNAC / Jean-Michel T/Gilles bassignac / Jean Michel T
Des projets qui s'ajoutent à la masse importante des tâches dont Notre-Dame doit s'affranchir quotidiennement.Car si pour le simple visiteur, Notre-Dame est d'abord le plus prestigieux des édifices de notre patrimoine, c'est aussi «une véritable PME», selon les termes employés par Mgr Jacquin, archiprêtre et recteur de la cathédrale. Et si la cathédrale est une entreprise, il en est le patron. «Notre-Dame est une confluence de beaucoup d'institutions et de compétences qui doivent apprendre à vivre ensemble pour faire vivre ce magnifique monument. Et ce, quelles que soient leurs professions, ou même leur foi.» En effet: une cinquantaine de personnes travaillent à Notre-Dame, mais c'est sans compter la centaine de bénévoles présents.
Parmi eux, Jean-Pierre Cartier, professeur d'histoire à la retraite, en charge de la coordination liturgique des cérémonies. Depuis trente-cinq ans, il participe à la vie de la cathédrale et connaît ses moindres recoins, ses moindres mythes et légendes. Mais encore aujourd'hui, Notre-Dame continue de le surprendre. Sur le toit du grand orgue, devant la rosace occidentale, Jean-Pierre Cartier se fige l'espace d'un instant. Il s'arrête sur des détails de vitraux qu'il n'avait pas remarqués jusque-là. «Même après tout ce temps, elle continue de nous étonner», confie-t-il. C'est sans doute cela, la magie de Notre-Dame.

           L'album du jubilé

Notre-Dame de Paris, par son architecture, ses sculptures, ses vitraux, son mobilier et ses objets de culte, est d'abord une merveille de l'art occidental. Cette cathédrale, ensuite, parce qu'elle est l'église de l'archevêque de Paris, est aussi le témoin de près d'un millénaire de vie chrétienne sur les bords de la Seine. Enfin, parce que Paris est la capitale de la France, ce monument est encore un haut lieu de l'histoire du pays. Cette triple dimension de Notre-Dame de Paris est restituée par un magnifique album illustré, dont les textes ont été écrits par près d'une cinquantaine de spécialistes. Des débuts de la construction, en 1163, aux restaurations de 2013, l'ouvrage raconte 850 ans de chantier.
De la façade aux stalles intérieures en passant par les rosaces, toutes les merveilles de la cathédrale sont ensuite décryptées. La troisième partie du volume évoque les grandes heures du sanctuaire, comme le Te Deum de la victoire de 1918 ou celui de la libération de Paris, en 1944, et les figures qui ont marqué son histoire, de l'architecte Viollet-le-Duc au cardinal Lustiger. Un superbe cadeau de Noël à s'offrir ou à offrir.