Eu me recordo de José Antonio APONTE. Cuba-1812
Eu me recordo de José Antonio APONTE . Cuba-1812
Eu me recordo de meu
pai.Eu me recordo de Reina e Belascoain.Eu me recordo de meu avô
MAMBI.Eu me recordo… gordos gongos surdos…Eu me recordo de Nicolás
GUILLEN.Eu me recordo…de barcos, de negros !Eu me recordo de 1912.Eu
me recordo de 1812Eu me recordo de Clemente Chacón, Salvador Ternero, Juan
Bautista Lisundia, Estanislao Agublán, Juan Barbier, Salvador Esteban Tomás e
Joaquín Santa Cruz.Eu me recordo de um homem bom chamado APONTE.
Neste comentário permitam-me dizer-lhes que recordo as palavras de meus
velhos colegas, que não foram somente histórias contadas.Deles tenho uma
presença que se reflete como um exemplo:A presença de um grande respeito
para consigo mesmo e para com os demais.Meus colegas são pessoas simples e humildes, que se destacam mais pela
sabedoria de escutar que de falar.Sempre me dizem ao ouvido:- ” Quando
você dá sua palavra, é o primeiro ! cuidado com isso .”
Assim tenho que citar este pensamento evocando aquele início de rebeldia
conspiradora em favor da emancipação de 1812.Quanto valor teve a inteligência nesse momento para coordenar, para
persuadir, para convencer, para fazer valer que a dignidade e a liberdade das
mulheres e dos homens fosse o principal.Que também era necessário e
indispensável dar fim à escravidão, à colonização, ao tráfico de escravos.
Alcançados estes objetivos, a via de alcançar a independência seria mais
próxima
Vale bem recordar que este movimento se desenvolveu em condições realmente
difíceis e complexas, com pessoas de diferentes procedências culturais da África
: Mandigas, Yorubas, Congos, Minas, muitos deles escravos em pequenas ou médias
plantações localizadas em territórios muito extensos.Assim se somaram a eles
afrodescendentes crioullos em condição de ” livres”. Quanta ousadia
conspirativa, bem como federativa, com a irmandade com pessoas da Jamaica, São
Domingo e Haïti.
Para mim esse ato foi como um ato fundador da solidariedade entre Africanos
e Afrodescendentes no Caribe.
Estes primeiros patriotas sabiam também que a correlação demográfica estava
a seu favor e as probabilidades reais de êxitos eram mais possível.Acontece
que as forças coloniais e os setores econômicos escravistas temiam a revolta, o
que deu um sentido de alerta total.Ao saber da conspiração e quem eram seus
instigantes, atuaram de forma expeditiva, detendo, julgando e executando
imediatamente de forma bárbara e desumana a : Apunte, Clemente Chacón, Salvador
Ternero, Juan Bautista Lisiando, Estanislao Agublán, Juan Barbier, Salvador
Esteban Tomás e Joaquín Santa Cruz.
Talvez tenham pensado que com esse ato de terror, de exibir as cabeças
destes herois, as mulheres e homens acalmariam, segundo ideias tirânicas, os
ânimos dos afrodescendentes. Pois ocorreu justamente o contrário: os montes e as
periferias das cidades na ilha continuaram sendo espaço de resistência de muitos
cimarrones.
Mais tarde, em outro momento de luta pela liberdade essas forças valentes e
generosas aportariam sua experiência no sentido de levantar a nação
cubana.
Recordo em meu tempo de estudos escolares quando o professor na aula de
geografía e história nos mostrava as páginas que ilustravam a Carlos Manuel de
Céspedes no ato de convocação para dar a liberdade ao pequeno número de escravos
que faziam parte de sua plantação-trapiche.
Tinha em minha mente as
conversações familiares dessa história anterior a 1868, a conspiração
abolicionista de Aponte.
Por último, não é por mero acaso do calendário, nem por coincidências
fortuitas, que um século depois do assassinato de Aponte e seus companheiros,
que no mês de agosto de 1912, com a instauração de uma pseudo-republica
pró-yanqui, com uma oligarquia crioulla e racista, deu-se início a uma repressão
feroz contra afrodescendentes patriotas independentistas que demandavam em
clamor legítimo aquilo que bem lhes pertencia nessa terra cubana de todos, onde
se vive a história.
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